O LAGO DE CORUPUTUBA

A foto acima obtive em 1967 com a minha antiga Bieka. É o lago da Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Os cachorros de Coruputuba - II

O CÃO HERÓI

A Casa Amarela ficava no Segundo Tanque
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O Valdemar, filho do Seu Enéas (irmão do Seu Alcindo), foi pescar no Primeiro Tanque.
Coruputuba tinha uma série de represas em degrau. Era a água do Córrego Coruputuba (que corre entre o Rio Ipiranga e o Ribeirão Capituba). A água foi represada em três represas em degrau, sendo que uma despejava na outra, num engenhoso sistema de comportas. Tudo obra do planejador engenheiro Alberto Simi, que tinha sido prefeito de Pindamonhangaba - vai vendo o gabarito da equipe do Cícero Prado...
O Primeiro Tanque ficava bem perto da linha da EFCB. Era a represa mais selvagem, cercada de mato, capim alto entrando na beirada da água.  O Segundo Tanque era separado do Primeiro por uma barragem, sobre a qual passava uma estradinha. Fazia um barulhão a água caindo do Primeiro para o Segundo numa profunda caixa de controle feita de concreto, com enormes comandos parecendo o timão de um navio.
O Segundo Tanque foi o mais famoso. Nele foi que funcionou, anos depois, o Clube Náutico. Às suas margens, já no final dos anos sessenta, foi erguida a Casa Amarela.
Nossa, mas acho que eu fugi da história! Estava falando do cachorro herói!
O Valdemar foi pescar no Primeiro Tanque. Levou o cachorro. Encostou a bicicleta, sentou na beira da água, começou a preparar os anzóis... e o cachorro deu o alarme. No meio do capim, pertinho do Valdemar, um enorme jacarezão. O cachorro avançou, ficou entre o monstro e o dono. O jacaré deu um só golpe, abocanhou o cachorro e entrou na água, mergulhou, nunca mais o cachorro do Valdemar foi visto.
Valdemar voltou para casa e contou a história do Cachorro Herói.
Sou testemunha de que de fato havia jacaré nos tanques. Eu tinha quinze anos quando mataram um enorme jacaré no Segundo Tanque (isto antes de existir o Náutico). O jacaré era tão grande que, quando foi colocado na caçamba da camionete, foi preciso dobrar o rabo paralelo ao corpo, para caber, eu vi. Esta cena foi debaixo da paineira da Vila Jacarandá, numa tarde de sábado de sol.
Hoje em dia, o Segundo Tanque está vazio e aparecem, no meio do capim, centenas de tocos de árvore. Imagina, lá atrás, quando fizeram as represas (e eu elogiando o Alberto Simi) não tiraram os tocos de árvore antes de inundar. Por isto, eu acho, que morria tanta gente quando ia mergulhar. Batia a cabeça no toco.
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Texto de Paulo Tarcizio da Silva Marcondes
A foto também (obtida com minha famosa Bieka em 1968)