O LAGO DE CORUPUTUBA

A foto acima obtive em 1967 com a minha antiga Bieka. É o lago da Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba.

sábado, 21 de abril de 2012

A cabrita marrom


Ela apareceu em casa e ninguém sabia de onde ela tinha vindo.
Quando eu cheguei da escola meus irmãos estavam excitados, falando todos ao mesmo tempo, no jardim, em volta da cabritinha marrom.
Tão bonita! O pelo era marrom nas costas, mas no peito era mais claro, na barriga era quase branco. As suas tetinhas eram cor-de-rosa. Não parava de balançar o rabinho.
Reparei que os chifres ainda eram bem pequenos, porque ela era bem nova.
A cabrita comia tudo que a gente dava. Comia, comia, depois parava, deitava na sombra. E de repente começava a mastigar sem comer! O Pedro me explicou que ela estava ruminando, quer dizer, o capim que ela tinha engolido voltava para a boca para ser mastigado de novo.
Mamãe não deixou a gente levar a cabritinha para o quintal. Falou: "Deixa ela no jardim, para todo mundo ver. Assim o dono vai ficar sabendo que ela está aqui."
De tarde apareceu o Seu Zé Campeiro, que só andava de bota, chapéu de couro e facão na cinta. A cabritinha era dele, tinha escapado da casa dele lá na Vila Figueira. Ele tinha vindo buscar.
Eu corri para o quarto e fiquei quieto.
Um tempo depois o Zaga e o Pedro entraram correndo:
"Bobo, bobo! Não precisa chorar, a mãe comprou a cabra! O Seu Zé Campeiro vendeu!"
Eu falei que não estava chorando nada. Falei que tinha entrado um cisco no meu olho.
  *   *   *


Texto de Paulo Tarcizio da Silva Marcondes
(Isto aconteceu em Coruputuba no dia 21 de abril de 1960).
Foto: viamao.olx.com.br