O LAGO DE CORUPUTUBA

A foto acima obtive em 1967 com a minha antiga Bieka. É o lago da Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Primavera



Quando está se aproximando a  primavera a cidade se transforma, vira uma festa de flores. As ruas ficam mais bonitas e alegres, com as árvores todas coloridas. Como ficam belos os flamboyants perto do cemitério, e os da entrada do Ouro Verde! Que exagero de beleza! Mas os anunciadores de nossa primavera são os ipês. Primeiro os ipês-roxos, depois os ipês amarelos. Espalhados pela cidade, um bem longe do outro, no entanto todos vão abrindo suas flores no tempo certo.




Parece que alguém foi de árvore em árvore avisando: - Olha, a primavera chegou, é hora de florir!  E então até aquela árvore sozinha, isolada, longe das outras, cercada de paredes, até aquela plantinha humilde e solitária descobriu que tinha chegado o tempo certo e abriu suas pobres florinhas...



E nós? E nós seres humanos? Quantas vezes nos esquecemos da chegada da primavera! Quantas vezes nos esquecemos de florescer, nos deixamos vencer pela tristeza, pela rotina, pela depressão...
Se até as plantas se entusiasmam e se alegram! E nós com tanta dificuldade de nos abrir para o mundo, para o sol, para o céu, para as cores... Às vezes parece tão difícil  abrir nossas melhores flores, que são os nossos sorrisos!




PRIMAVERA


Não sei como soubeste da chegada
Da primavera. Só sei que floriste.




 


Sei que floriste, mesmo assim, fechada
Atrás do muro acinzentado e triste.



 


O sol cantava pelo campo, fora
Do muro e das paredes da cidade.

E, sem saberes como, tens agora
A primavera da felicidade.

Que era chegado o tempo de florir
Como, longe de tudo, descobriste?


 



Eu não sei se passou ou se há de vir
O tempo certo. Só sei que floriste.

*   *   *   *   *

Poema de PAULO TARCIZIO DA SILVA MARCONDES
Livro “Terra Vegetal” – Registro na BN n. 133.608
Fotos de Paulo Tarcizio (com exceção da foto marcada DREAMSTIME)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Presentes divinos

 

Hoje embalei no colo o filhinho da minha filha Simone, o meu netinho Miguel, que ainda não tem dois meses - e ele dormiu, pacífico, tranquilo, a cabecinha sobre o meu braço esquerdo, pertinho do meu coração...




Hoje também a filhinha da minha filha Paty (que hoje fez aniversário), a minha netinha Pietra, que logo vai fazer quatro anos, pediu meu colo, passando do colo da Anamaria para o meu, e ficou abraçadinha comigo.



Estas são delicadas concessões de Deus, confiando aos meus braços tais preciosidades.


Nestes momentos escuto Deus me cochichando: GOSTO DE VOCÊ, CARA...

* * * * *

Texto de PAULO TARCIZIO DA SILVA MARCONDES

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Cadê corage?


“Caipira picando fumo” de José Ferraz de Almeida Júnior
(08/05/1850 – 13/11/1899)
* * * * * *

CADÊ CORAGE

(Bertha Celeste Homem de Mello)

Só pra mó de uma marvada
Que um dia vim conhecê
Num tenho mais alegria,
Só sei o que é padecê.
Eu queria desabafá,
Tudo, tudo, le dizê...
Mais quá, bobage, que jeito,
Cadê corage, cadê?

Às veiz eu vô pela estrada
E vejo ela aparecê.
Meu coração dá pinote,
Parece inté num sei que...
Eu finco meus zóio no chão,
Garro a tremê, tremê,
Quero oiá préla, num posso,
Cadê corage, cadê?

Ela passa, eu fico oiano
Inté ela desaparecê...
Intonce me dá vontade
De pela estrada corrê,
Arcançá ela e gritá:
“Zefa, eu gosto de vancê!”
mais porém fico parado...
Cadê corage, cadê?

No baile, toda catita,
Bunitinha como quê,
Ela dança e eu lá de longe
Espicho os zóio prá vê...
Meu Deus, dançá co a Zefa,
Que bão que havera de sê...
Mais tirá ela é que é o diacho:
Cadê corage, cadê?

Essa morena formosa
É tudo que eu quero tê...
Prá sê meu seu coração,
Pra seu amor merecê,
Fazia tudo na vida,
Era capaiz de morrê...
Mais porém nada num faço...
Cadê corage, cadê?

Memo assim vivo sonhano
De lá no mato fazê
Um ranchinho, uma paióça
Prum dia nóis dois vivê
(e tamém os cabocrinho
que havera de aparecê...)
depois magino: num dianta,
cadê corage, cadê?

Às veiz garro a meditá:
Vivê no mundo, prá quê?
Num seria mais mió
Tomá umas droga e morrê?
Num pensava mais na Zefa,
Cabava meus padecê..
Mais porém cadê corage,
Cadê corage, cadê?


*     *     *

Este poema é de autoria de
Bertha Celeste Homem de Mello
Nasc. Pindamonhangaba, 21/03/1902
Fal. Jacareí, 16/08/1999
Poeta, farmacêutica e professora.
Além de poemas na linguagem simples do caipira, escreveu várias obras na melhor linguagem literária.
É a autora da letra em português da canção mais entoada no país: “PARABÉNS A VOCÊ”
É mais uma glória da cidade de Pindamonhangaba.