O LAGO DE CORUPUTUBA

A foto acima obtive em 1967 com a minha antiga Bieka. É o lago da Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Balada da Água do Tabaú



Poema de Balthazar de Godoy Moreira

Dia e noite, noite e dia,
Sob a moita de bambu,
Fresca e clara, clara e fria,
Pela biquinha corria
A água do Tabaú.


Era uma fonte afamada
Que fazia glu-glu-glu,
Rolando desalentada.
Diziam que era encantada
A água do Tabaú.


Passa um velho bandeirante
Que vem de Vapabussu;
Nunca viu ouro ou diamante
Tão puro, tão cintilante
Como a água do Tabaú.


Passa um Príncipe Real
No seu cavalo acaju;
Depressa o copo, Oficial...
Nunca bebi nada igual
À água do Tabaú.


Passa um guapo boiadeiro
De Taipas para o Mandu.
Tem pressa. Viaja ligeiro.
Mas para e prova primeiro
A água do Tabaú.


Passa um médico doutor,
Guarda-pó cor de caju;
- Deem-me um lugar, por favor,
Quero saber o sabor
Da água do Tabaú.



Passa uma velha senhora
De xale escuro e fichu.
- Prova, Sinhá, não demora,
Mecê vai vê como adora
A água do Tabaú.



O carreiro para o carro
E os bois Moleque e Tatu.
Atira longe o cigarro
E enche a pichorra de barro
Na água do Tabaú.



Passa um pobre cantador
Cantarolando um lundu;
Esquece a moda do amor
Para saber o sabor
Da água do Tabaú.



Passa o capitão do mato
Com o seu cão Belzebu;
Bebe mas tem o recato
De não deixar seu retrato
Nas águas do Tabaú.


Passa o correio da Corte
Pá que ta-tá... pa-ca-tu...
Só se consola da sorte,
Quer venha do sul ou norte,
Com a água do Tabaú.


Passa uma dona de Minas
Que veio pelo Embaú,
E nas valvas opalinas
De suas mãos pequeninas
Bebe água do Tabaú.




Passa um defunto na rede
E o bando atrás, jururu;
Todos saciam a sede.
Só o defunto não pede
A água do Tabaú.


Mas todo aquele que acaba
De a provar, glu-glu-glu...
No mesmo instante desaba
A amar Pindamonhangaba
E a água do Tabaú!



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Minha homenagem ao Professor Balthazar de Godoy Moreira, que dedicou sua vida de escritor e de poeta para louvar a sua terra natal.
Estive afastado deste poema durante mais de quarenta anos. A primeira vez em que eu li esta balada, eu era bem jovem. Tinha lido num exemplar do jornal Tribuna do Norte. Depois, nunca mais vi. Perguntei para muitas pessoas. Ninguém conhecia. Mas eu sabia o ano do jornal. Agora encontrei, ufa, depois de tantas décadas! É tão lindo, que não pode ser perdido de novo. Por isto eu o publico neste blog. Acredito que quanto mais publicar, mais estará salvo.