O LAGO DE CORUPUTUBA

A foto acima obtive em 1967 com a minha antiga Bieka. É o lago da Fazenda Coruputuba, em Pindamonhangaba.

sábado, 30 de julho de 2011

Minha mulher se chama “agora”



Algumas vezes, Anamaria, tomada por certa impaciência na minha demora em resolver alguma coisa, vai à frente, soluciona o problema e, diante do meu elogio, informa com um sorriso superior: O meu nome é “agora”.

Puxa vida. Eu estou achando que eu não, eu não me chamo “agora” igual a ela.

Por exemplo. Muita vez eu digo assim: Benzinho, estou indo tomar banho.

E vou.

Só que no caminho resolvo primeiro inspecionar a geladeira.


Encontro alguma coisa boa, levo para a mesa da copa, abro uma revista, um jornal, um livro... e fico bicando um refrigerante, provando o petisco, lendo, lendo...

Quando acaba a comidinha, ou o refrigerante, ou o que eu estava lendo, geralmente depois de meia hora, eu me levanto da cadeira e, naquela necessidade íntima de contar tudo para ela, exclamo: Benzinho, agora eu vou tomar banho mesmo!

E aí eu vou de verdade.

E assim já aconteceu com muita coisa. Quando ela me fala que precisa consertar a porta do guarda-roupa, tirar uns preguinhos da parede, instalar um aparelho elétrico, vejo que a minha resposta típica é sempre concordando: É mesmo, tenho que ver isto...

E às vezes passa bastante tempo.

Então estou acreditando que o meu nome pode ser “já-já”.

Bom, é verdade que de repente resolvo, compro os apetrechos, começo a furar a parede, martelar etc. e por fim "a obra resplandece acabada".


Então fica no ambiente aquela sensação muda tipo: nossa, se era tão fácil e rápido, por que que demorou tanto?

Uma noite aconteceu isto: Anamaria estava lendo no quarto e fui avisá-la de que eu tinha colocado no forno uns steaks de frango. Ela ficou contente (que bom, Benzinho!) e continuou entretida na leitura.


Fui para a cozinha, inspecionei o forno, coloquei os pratos na mesa e, já que ia demorar, fui para o computador.

Digitei bastante, entrei na internet, fiquei um tempão fazendo pesquisas, vários sites... E encontrei um assunto tão interessante que fui contar para ela. Cheguei no quarto, ela perguntou: Ficou pronto?

Ficou pronto o quê, pensei. Então senti o cheiro dos benditos steaks! Corri para a cozinha, desliguei o forno, mas não tinha queimado não, só tinha passado do ponto, ficou um pouquinho marrom em vez de dourado.

Mas com cerveja ficou excelente. Estava assim entre meio duro e crocante demais.

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Texto de PAULO TARCIZIO DA SILVA MARCONDES